Agosto Branco: conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de pulmão

O câncer de pulmão ainda representa um dos grandes desafios da medicina. Durante o Agosto Branco, mês dedicado à conscientização sobre a doença, a proposta não é apenas falar sobre câncer, mas ampliar o conhecimento sobre fatores de risco, prevenção, investigação e, principalmente, a importância de diagnosticar a doença em fases mais precoces.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 35.380 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão por ano entre 2026 e 2028, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres.

Esses números reforçam uma mensagem importante: precisamos falar sobre saúde pulmonar antes que os sintomas se tornem intensos.

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco

O cigarro permanece como o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Segundo o INCA, aproximadamente 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados do tabaco.

Por isso, não fumar é uma das medidas mais importantes de prevenção. Para quem fuma, interromper o tabagismo continua trazendo benefícios, independentemente do tempo ou da quantidade de cigarros consumidos anteriormente.

Mas existe outro ponto que merece atenção: câncer de pulmão também ocorre em pessoas que nunca fumaram.

Poluição atmosférica, exposição ocupacional a determinadas substâncias, histórico familiar e exposição ao radônio estão entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença. O radônio, por exemplo, é um gás radioativo natural reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma importante causa de câncer de pulmão.

Portanto, não ter histórico de tabagismo não significa que qualquer sintoma respiratório persistente deva ser ignorado.

O desafio dos sintomas iniciais

Um dos problemas do câncer de pulmão é que, em suas fases iniciais, ele pode não provocar sintomas específicos. Quando surgem manifestações clínicas, elas podem ser confundidas com condições respiratórias mais comuns.

Entre os sinais que merecem investigação estão:

  • tosse persistente ou mudança no padrão habitual da tosse;
  • falta de ar;
  • presença de sangue no escarro;
  • dor ou desconforto no tórax;
  • rouquidão persistente;
  • infecções respiratórias recorrentes;
  • perda de peso sem explicação;
  • cansaço persistente.

A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer. Existem diversas condições benignas capazes de provocá-los. O ponto central é outro: quando um sintoma persiste, é necessário entender sua causa.

Diagnóstico precoce pode mudar o tratamento

Na cirurgia torácica, percebemos de forma muito clara o impacto do estágio em que um tumor é identificado.

Quando o câncer de pulmão é diagnosticado em estágio inicial e permanece localizado, pode haver possibilidade de tratamento com intenção curativa, inclusive por meio da cirurgia em pacientes adequadamente selecionados.

Além disso, a evolução das técnicas cirúrgicas trouxe abordagens minimamente invasivas, como a videotoracoscopia e a cirurgia robótica, que podem ser utilizadas em determinados casos. A indicação, entretanto, depende de fatores como tipo e estágio do tumor, localização da lesão, condições clínicas e função pulmonar do paciente.

Hoje, o tratamento também é cada vez mais individualizado. Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo podem fazer parte da estratégia terapêutica, isoladamente ou em combinação.

Por isso, a avaliação multidisciplinar tem um papel tão importante.

E o rastreamento do câncer de pulmão?

Um dos avanços mais relevantes das últimas décadas foi demonstrar que, em pessoas selecionadas com alto risco para câncer de pulmão, o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose pode reduzir a mortalidade pela doença.

O estudo NLST, realizado com mais de 53 mil participantes de alto risco, demonstrou redução de aproximadamente 20% na mortalidade por câncer de pulmão com tomografia de baixa dose em comparação com radiografia de tórax.

Posteriormente, o estudo europeu NELSON também demonstrou redução significativa da mortalidade por câncer de pulmão entre participantes de alto risco submetidos ao rastreamento por tomografia.

Isso não significa, entretanto, que todas as pessoas devam realizar tomografias periodicamente. Rastreamento é diferente de investigação de sintomas e deve ser indicado de acordo com idade, histórico de tabagismo, tempo desde a interrupção do cigarro e outros fatores de risco.

A decisão deve ser discutida individualmente com o médico.

Agosto Branco também é sobre prevenção

Falar sobre câncer de pulmão não deve significar falar apenas sobre diagnóstico e tratamento. O Agosto Branco também é uma oportunidade para reforçar aquilo que podemos fazer antes que a doença apareça.

Evitar o tabagismo e a exposição passiva à fumaça do cigarro continua sendo fundamental. Atenção às exposições ocupacionais e ambientais também faz parte da prevenção. A Organização Mundial da Saúde destaca ainda a redução da exposição à poluição do ar e ao radônio entre as estratégias relacionadas à prevenção do câncer.

Para quem tem histórico importante de tabagismo ou outros fatores de risco, uma avaliação médica pode ajudar a definir se existe indicação de acompanhamento ou rastreamento específico.

Cuidar dos pulmões durante todo o ano

O Agosto Branco chama atenção para um tema que precisa permanecer em pauta durante os outros onze meses do ano.

O câncer de pulmão não deve ser associado apenas ao cigarro, nem devemos esperar sintomas intensos para procurar atendimento. Conhecer os próprios fatores de risco, observar mudanças respiratórias e procurar avaliação especializada quando necessário são atitudes que podem fazer diferença.

Na Inspire Medicina Respiratória, pneumologistas, cirurgiões torácicos e especialistas em endoscopia respiratória atuam de forma integrada na investigação e no tratamento das doenças pulmonares.

Quando existe uma alteração, um nódulo pulmonar ou uma suspeita de câncer, diferentes conhecimentos podem ser necessários para chegar ao diagnóstico, definir o estágio da doença e escolher a estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

No Agosto Branco, a principal mensagem é simples: informação, prevenção e diagnóstico no momento adequado também fazem parte do cuidado com os pulmões.

Referências científicas e fontes

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil – Traqueia, Brônquio e Pulmão. Ministério da Saúde, 2026.
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pulmão. Atualizado em março de 2026.
  3. National Lung Screening Trial Research Team. Reduced Lung-Cancer Mortality with Low-Dose Computed Tomographic Screening. New England Journal of Medicine. 2011;365:395–409. DOI: 10.1056/NEJMoa1102873.
  4. de Koning HJ, van der Aalst CM, de Jong PA, et al. Reduced Lung-Cancer Mortality with Volume CT Screening in a Randomized Trial. New England Journal of Medicine. 2020;382:503–513. DOI: 10.1056/NEJMoa1911793.
  5. Kovalchik SA, Tammemagi M, Berg CD, et al. Targeting of Low-Dose CT Screening According to the Risk of Lung-Cancer Death. New England Journal of Medicine. 2013;369:245–254. DOI: 10.1056/NEJMoa1301851.
  6. World Health Organization. Radon and health. WHO. O documento destaca o radônio como importante fator de risco ambiental para câncer de pulmão.
  7. World Health Organization. Cancer – Fact Sheet. Atualizado em julho de 2026.

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