Quando as pessoas ouvem falar em cirurgia robótica, é comum imaginarem que o robô realiza o procedimento sozinho. Na prática, isso não acontece.
Cada movimento dos instrumentos é comandado pelo cirurgião, que permanece no controle durante toda a operação. A plataforma apenas traduz os movimentos realizados no console para os braços robóticos, com recursos que ampliam a visão, a estabilidade e a precisão.
O que muda com a cirurgia robótica?
Na cirurgia torácica, o médico atua próximo de estruturas extremamente delicadas, como vasos sanguíneos, brônquios, nervos e linfonodos. Qualquer movimento precisa ser cuidadosamente planejado e executado.
A plataforma robótica oferece visão ampliada do campo cirúrgico, em alta definição e em três dimensões. Seus instrumentos articulados também permitem movimentos precisos e estáveis em áreas estreitas do tórax.
Esses recursos podem facilitar a dissecção de estruturas complexas, o controle de pequenos vasos e a retirada de linfonodos. No entanto, a tecnologia não substitui o conhecimento, a experiência nem a tomada de decisão do cirurgião.
Em quais situações ela pode ser utilizada?
A cirurgia robótica pode ser considerada no tratamento de diferentes doenças torácicas, entre elas:
- Câncer de pulmão;
- Nódulos pulmonares com indicação cirúrgica;
- Tumores do mediastino, como alguns tumores do timo;
- Doenças benignas do mediastino;
- Algumas alterações da parede torácica;
- Casos selecionados que exigem ressecções pulmonares mais precisas.
Nos tumores do mediastino, estudos mostram resultados promissores para a abordagem robótica, especialmente em procedimentos como a timectomia. Entretanto, nos casos mais extensos, a cirurgia aberta ainda pode ser a opção mais segura.
O benefício vai além do tamanho da incisão
As pequenas incisões são uma característica importante das cirurgias minimamente invasivas, mas não representam o único possível benefício.
Em casos cuidadosamente selecionados de câncer de pulmão em estágio inicial, pode ser indicada uma segmentectomia — procedimento em que apenas o segmento pulmonar comprometido é retirado, preservando uma parte maior do pulmão saudável.
Estudos demonstram que ressecções menores podem oferecer resultados oncológicos adequados para determinados tumores pequenos e periféricos, além de favorecer a preservação da função pulmonar. Essa decisão, porém, depende do tamanho e da localização da lesão, da avaliação dos linfonodos e das condições clínicas do paciente.
A plataforma robótica pode facilitar a realização de ressecções anatômicas complexas. Ainda assim, é importante esclarecer: a preservação do pulmão está relacionada principalmente ao tipo e à extensão da cirurgia escolhida, e não apenas ao uso do robô.
Cirurgia robótica é sempre melhor?
Não necessariamente.
Um estudo clínico randomizado que comparou a cirurgia robótica com a videotoracoscopia tradicional em pacientes com câncer de pulmão inicial não encontrou superioridade da plataforma robótica em complicações, conversão para cirurgia aberta ou tempo de internação. Entretanto, o grupo submetido à cirurgia robótica apresentou uma avaliação mais ampla dos linfonodos.
Por isso, a cirurgia robótica não deve ser apresentada como uma solução automaticamente superior para todos. A escolha entre cirurgia robótica, videotoracoscopia e cirurgia aberta precisa considerar:
- O diagnóstico e o estágio da doença;
- A localização e o tamanho da lesão;
- A função pulmonar do paciente;
- As cirurgias ou tratamentos anteriores;
- A experiência da equipe;
- A segurança oncológica do procedimento.
Mais importante do que utilizar determinada tecnologia é escolher a estratégia cirúrgica mais segura e adequada para cada pessoa.
Precisão a serviço do cuidado individualizado
A cirurgia robótica representa uma evolução importante da cirurgia minimamente invasiva. Quando bem indicada e realizada por uma equipe capacitada, pode ampliar as possibilidades de tratamento e contribuir para procedimentos precisos, preservando estruturas importantes sempre que isso for tecnicamente e oncologicamente seguro.
Na Inspire, cada caso é avaliado de maneira individualizada, considerando as características da doença, a saúde do paciente e as alternativas disponíveis para definir a melhor estratégia de cuidado.
Referências científicas
- U.S. Food and Drug Administration. Computer-Assisted Surgical Systems.
- Veronesi G, et al. Perioperative Outcome of Robotic Approach Versus Manual Videothoracoscopic Major Resection in Patients Affected by Early Lung Cancer: Results of the ROMAN Study. Frontiers in Oncology. 2021;11:726408.
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- Deckarm R, et al. Surgical management of thymic tumors: a narrative review with focus on robotic-assisted surgery. Mediastinum. 2024;8:48.




