A cirurgia torácica passou por uma evolução significativa nas últimas décadas, impulsionada principalmente pela incorporação de tecnologias minimamente invasivas. Entre elas, a cirurgia robótica tem se destacado como uma das inovações mais impactantes, oferecendo maior precisão, segurança e melhores resultados pós-operatórios para os pacientes.
A transição da cirurgia aberta para técnicas como a videotoracoscopia (VATS) já representou um grande avanço. No entanto, a robótica elevou ainda mais a capacidade do cirurgião de atuar em regiões complexas do tórax, onde a precisão milimétrica é determinante para o sucesso do procedimento.
Visão ampliada e instrumentação avançada
A cirurgia robótica utiliza um sistema computadorizado que proporciona ao cirurgião uma visão tridimensional em alta definição, ampliada até 10 vezes. Isso permite visualizar estruturas anatômicas finas e vasos delicados com maior clareza.
Os instrumentos robóticos, com articulações que mimetizam e superam os movimentos da mão humana, são capazes de realizar manobras extremamente delicadas, reduzindo riscos e aumentando a precisão em procedimentos como:
- Ressecções pulmonares anatômicas
- Tratamento de tumores mediastinais
- Simpatectomias torácicas
- Reoperações complexas
Essa tecnologia permite acessar áreas de difícil abordagem com menor trauma tecidual.
Benefícios para o paciente
Diversos estudos demonstram que, quando comparada às técnicas tradicionais, a cirurgia torácica robótica oferece vantagens significativas, como:
- Menos dor pós-operatória, devido a incisões menores e menor manipulação de estruturas intercostais
- Menor tempo de internação, favorecendo o retorno precoce às atividades
- Menor sangramento intraoperatório
- Melhor preservação da função pulmonar no pós-operatório
- Menor taxa de conversão para cirurgia aberta
Esses benefícios se traduzem em recuperação mais rápida, redução de complicações e maior conforto para o paciente.
O papel do cirurgião na cirurgia robótica
Um ponto essencial a ser esclarecido é que o robô não realiza a cirurgia de forma autônoma.
Cada movimento é totalmente controlado pelo cirurgião, que atua a partir de um console, comandando os instrumentos robóticos com precisão absoluta.
A tecnologia funciona como uma extensão das mãos e dos olhos do cirurgião, ampliando sua capacidade técnica, mas nunca substituindo:
- A tomada de decisão
- A experiência clínica
- O julgamento cirúrgico
- A habilidade manual
- O raciocínio anatômico
A robótica não substitui a expertise do especialista — ela a potencializa, permitindo resultados superiores com maior segurança.
O futuro da cirurgia torácica
A tendência é de que a robótica torne-se cada vez mais acessível e amplamente utilizada. Avanços contínuos no design dos instrumentos, na qualidade da imagem e na integração com outras tecnologias (como fluorescência com verde indocianina para identificação de vasos e linfonodos) devem expandir ainda mais suas aplicações.
A cirurgia torácica caminha para procedimentos cada vez mais precisos, menos invasivos e com melhor qualidade de vida no pós-operatório. A robótica é um marco dessa evolução.
Referências
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- O’Sullivan KE, Kreaden US, Hebert AE. Robotic-assisted thoracic surgery: a systematic review and meta-analysis. J Thorac Dis. 2018;10(5):2602–2611.
- Kent M, Wang T, Whyte R, et al. Open, video-assisted thoracic surgery, and robotic lobectomy: review of a national database. J Am Coll Surg. 2014;218(2):261–270.
- Novellis P, Bottoni E, Voulaz E, et al. Robotic thoracic surgery: present and future perspectives. Future Oncol. 2020;16(9):647–656.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT). Diretrizes sobre abordagens minimamente invasivas em cirurgia torácica.




